11 JUL 2024 18:00–19:00
AS REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS EXISTEM MESMO? PARADIGMAS, ÉPISTÉMÈ E SEUS CONCORRENTES

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Philippe Huneman
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AS REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS EXISTEM MESMO? PARADIGMAS, ÉPISTÉMÈ E SEUS CONCORRENTES
Philippe Huneman ©DR

Em The structure of scientific revolutions, Thomas Kuhn desconstruiu a antiga crença no progresso contínuo da ciência, ao argumentar que a ciência procede maioritariamente através do estabelecimento e posterior revolução de “paradigmas”, nomeadamente conjuntos de métodos, crenças ontológicas, exemplos-chave e valores de vários tipos. Em consonância com a ideia geral da épistémologie historique francesa, radicalizada quase ao mesmo tempo por Michel Foucault ao discutir as mudanças descontínuas na épistémè, esta explicação levanta dois grandes desafios. Em primeiro lugar, dado que a ciência, ao contrário de outras produções culturais, parece estar indexada a uma norma de verdade, espera-se uma possibilidade constante de comparar os pontos de vista científicos com referência a essa norma, em oposição à incomparabilidade implicada por relatos que invocam mudanças de paradigmas ou épistémè. Em segundo lugar, embora os “paradigmas” ou épistémé constituam formações de alto nível em comparação com as hipóteses ou teorias, podemos discordar do papel fundamental que Kuhn ou Foucault lhes atribuem no seio das ciências. Depois, se forem consideradas outras unidades de análise da atividade científica, a impressão de uma revolução pode dissipar-se, revelando-se o problema de ter de escolher qual o nível de análise mais relevante para captar a dinâmica científica.

Nesta palestra, Huneman abordará estas duas questões, distinguindo vários tipos de motivação na ciência, particularmente o contraste entre o fio contínuo da influência causal entre cientistas e a relação descontínua da motivação lógica e das incompatibilidades. Focando em exemplos-chave das ciências da vida – por exemplo, a ascensão da “biologia” como ciência autónoma no início do século XIX e as atuais contestações da teoria evolutiva clássica -, argumentará que as «revoluções» que ocorreram ao longo da cadeia de motivação podem, numa análise mais detalhada, ser desmembradas num conjunto de variações conceptuais contínuas e independentes, concluindo, no entanto, que esta análise não elimina o facto de existirem revoluções genuínas, o que constitui uma categoria legítima de análise histórica da ciência.

 

 

Formado primeiro em Matemática e depois em Filosofia (doutoramento na Paris I, 2000), Philippe Huneman é Diretor de Investigação no Institut d’Histoire et de Philosophie des Sciences et des Techniques (CNRS/ Université Paris I Panthéon Sorbonne), em Paris. Trabalha no domínio da filosofia da biologia, abordando questões relacionadas com a evolução e a ecologia, particularmente as ideias de organismo e de seleção natural e, de modo mais geral, em questões sobre a natureza e os modos de explicação biológica. O seu livro mais recente, Les sociétés du profilage. Evaluer, optimiser, prédire (Paris: Payot), foi publicado em 2023, sucedendo a Death: Perspectives from the Philosophy of Biology (Palgrave-McMillan, 2022) e Why ? The philosophy behind the question (Stanford UP 2022). É ainda co-editor da série de livros History, Philosophy and Theory in Biology (Springer) e foi coautor de From evolutionary biology to evolution and back (Springer, 2022), com cinco outros filósofos, biólogos e economistas e os títulos que publicou, como editor, incluem From groups to individuals (com Frédéric Bouchard, MIT Press, 2013), Handbook of Evolutionary Thinking in the Sciences (com T. Heams, G. Lecointre, M. Silberstein, Springer, 2015), Challenging the Modern Synthesis (com D. Walsh, Oxford UP 2017). Publicou mais de 120 artigos e capítulos em revistas internacionais de filosofia da ciência ou de biologia.

 

 

Tradução simultânea PT/EN e EN/PT

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