20 JUN 2024 21:30–23:30
CATEMBE, NOW! (Já!), LES MAÎTRES FOUS (Os Mestres Loucos)

Com

Maria do Carmo Piçarra
BIBLIOTECAS E MUSEUS DO PORTO
CATEMBE, NOW! (Já!), LES MAÎTRES FOUS (Os Mestres Loucos)
Catembe ©DR

«Catembe»

É um filme (seria um filme) sobre o quotidiano de Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique, que continha sequências de ficção sobre os amores de uma jovem mestiça com um pescador de Catembe, aldeia em frente a Maputo. Trata-se de um filme censurado em extremo e, por fim, proibido. Não é bem um filme, mas é importante vê-lo, por isso. Pode-se talvez adivinhar um pouco do que poderia ter sido, pode-se perceber a energia do seu realizador e, com isso também, ainda, um testemunho do tempo, dessa distância enorme entre o mundo e a vida na metrópole relativamente à vida nas colónias, seja pelo trailer, seja por alguns pedaços guardados, que poderemos ver. «Certo é que o transgressor da obra foi ter sido a primeira interpretação filmada crítica da realidade colonial portuguesa. Após a censura da obra original — com 103 cortes e imposição da destruição da parte censurada — a segunda versão, com 48 minutos, foi proibida. Dos seus 2.400 metros originais restou metade pelo que figurou no Guinness Book of Records […] como o filme alvo de mais cortes por um organismo da censura na história do cinema.» (Excerto do texto “Catembe – o filme como corpo de delito: conversa com Faria de Almeida”, de Maria do Carmo Piçarra).. 

 

Ano: 1965
Duração: 45’

Manuel Faria de Almeida nasceu em Moçambique em 1934. Dinamizou atividade cineclubística em Lourenço Marques (atual Maputo). Obteve apoio para estudar na London School of Film Technique, onde obteve a mais alta classificação de sempre. Posteriormente, teve apoio para o projeto do filme Catembe, mas os cortes da censura levaram-no a que, por si mesmo, proibisse a sua circulação. Tal acontecimento – trágico – atenuou decisivamente o seu ímpeto criativo, e poucas obras fez depois, enquanto autor. Foi realizador da Rádio Televisão Portuguesa.

 

«Now!» (Já!)

Documentário com montagem visual surpreendente, que visa evidenciar os problemas raciais nos Estados Unidos. Foi talvez a propósito deste filme que o próprio Santiago Alvarez disse: Dêem-me duas fotografias, uma moviola e música, e eu faço um filme. Utilizando sobretudo fotografias recortadas de revistas americanas como a Life, Álvarez cria uma montagem dinâmica de imagens em justaposição com a letra de Now, cantada por Lena Horne segundo a melodia da canção popular judaica Hava Nagila. O filme resultante, Now!, tem a duração exata da canção gravada. 

 

Ano: 1965
Duração: 6’ 

Santiago Alvarez (1919—1998), cineasta cubano, realizou cerca de 100 documentários e produziu quase 600 programas noticiosos semanais transmitidos pelo Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica. Foi o primeiro dos cineastas revolucionários cubanos (1959), com um trabalho sobretudo centrado na montagem. Em Ciclón (1963), um filme sobre uma tempestade devastadora em Cuba, encontra a sua forma de composição, reunindo imagens dispersas e usando o som de modo intensificador, não ilustrativo.   

 

«Les maîtres fous» (Os Mestres Loucos)

«O filme Les maîtres fous, rodado no dia 15 de Agosto de 1954 na periferia de Accra, capital do actual Gana, revela aos nossos olhos um ritual exorcista, o culto de possessão dos espíritos hauka. Os médiuns são jovens Songai que migravam das terras do rio Níger em direção às grandes cidades africanas, para trabalhar nas docas, minas e construção civil. […] Depois de uma série de pequenos sacrifícios animais, os médiuns entram em transe […] Neste estado, assumem uma série de identidades ou personagens associadas ao mundo colonial político e militar […]» (Passagens iniciais de um texto de Catarina Alves Costa no catálogo Jean Rouch, Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema) 

 

Ano: 1955
Duração: 36′

Concluída a sua formação, Jean Rouch (1917-2004) começou como engenheiro de obras públicas em Niamey, futura capital do Níger, e é aí que se desenvolve o seu interesse pela etnografia. Começa a filmar quando (em 1947), com Pierre Ponty e Jean Sauvy, percorrem de canoa os 4184 quilómetros do rio Níger – entra nesse mesmo ano para o Centre National de la Recherche Scientifique, França. A partir daí, funde cinema e investigação antropológica, filmando muitas vezes sozinho. Em 1952 é co-fundador do Comité du Film Ethnographique, com Claude Lévi-Strauss e André Leroi-Gourhan, entre outros. Em 1960 co-realiza “Chronique d’um été” com Edgar Morin. 

 

Maria do Carmo Piçarra é investigadora do Instituto de Comunicação da NOVA, professora na Universidade Autónoma de Lisboa e programadora de cinema. Investiga propaganda filmada, censura ao cinema, cinema político e o papel das mulheres nas descolonizações. Entre outros livros, publicou Vento Leste. Luso-orientalismo(s) nos filmes da ditadura e Projectar a ordem. Cinema do Povo e propaganda salazarista

INSCRIÇÕES

Entrada livre, sujeita à lotação do espaço, com abertura de portas 30 minutos antes da sessão.

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